Professores da Unicamp encerram greve; servidores mantêm paralisação e estudantes avançam em negociação

  • 12/06/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem aérea do campus da Unicamp em Campinas Reprodução/EPTV Os professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiram encerrar a greve nesta quinta-feira (11) após aprovarem a proposta de reajuste salarial de 3,92% negociada entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis. 🔎 O Fórum das Seis é uma união sindical e estudantil que reúne representantes das três universidades estaduais paulistas (Unicamp, USP e Unesp) e do Centro Paula Souza (Ceeteps). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Apesar do fim da paralisação, a Associação dos Docentes da Unicamp (ADunicamp) afirma que manterá mobilizações conjuntas com estudantes e servidores para cobrar avanços em pautas como permanência estudantil, condições de trabalho e financiamento das universidades públicas paulistas. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) informou ao g1 nesta sexta-feira (12) que teve avanços na negociação com a reitoria, com 95% das pautas aprovadas, e que aguarda a concordância do campus de Limeira (SP) para definir o encerramento da mobilização. O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) permanece em greve e deve realizar uma nova assembleia na terça-feira (16). A reportagem solicitou e aguarda um posicionamento da instituição sobre o assunto. Fim da greve dos docentes Os docentes da Unicamp, assim como os estudantes, estavam em greve desde o dia 18 de maio. De acordo com a ADunicamp, a categoria se comprometeu a reabrir as negociações no segundo semestre caso a arrecadação do ICMS paulista alcance a projeção de R$ 187,1 bilhões prevista pelo governo estadual. Ainda de acordo com a categoria, tanto a Diretoria da ADunicamp como integrantes do Comando de Greve e docentes que participaram da assembleia avaliaram como "extremamente positiva e forte as ações conjuntas das três categorias da Universidade, coordenadas e decididas em comum pela ADunicamp, STU e DCE". Além da recomposição salarial, a pauta unificada também reivindica decisões e ações mais amplas das reitorias e do Governo do Estado, como melhorias nas condições de trabalho e estudo, fortalecimento das políticas de permanência estudantil e ampliação do financiamento das universidades públicas paulistas. Estudantes apontam avanço em negociação Na noite desta quinta-feira (11), os estudantes também participaram de uma mesa de negociação. O DCE avaliou a reunião como "vitoriosa", após ter 95% das pautas contempladas nas propostas da Reitoria, e informou ao g1 que votou pelo encerramento da greve. No entanto, a definição ainda depende da concordância do campus de Limeira (SP), que terá nova assembleia nesta sexta. Na segunda-feira (8), os estudantes grevistas ocuparam ocuparam o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA) afirmando que as propostas apresentadas pela reitoria na última mesa de negociação deixou de fora pontos centrais de suas demandas. A instituição havia dito em nota que lamentava a ocupação, afirmando que "atos reivindicatórios não devem obstruir o direito de ir e vir", e que a interrupção das atividades na DGA "prejudica o andamento de serviços essenciais, como o abastecimento da área da saúde, a liberação de salários, de bolsas e de auxílios estudantis". LEIA TAMBÉM: Em greve, estudantes da Unicamp ocupam prédio administrativo; reitoria diz que ato prejudica serviços essenciais Seis pessoas são presas após tentarem invadir prédio da USP Alunos da USP aprovam fim da greve estudantil após 54 dias de paralisação O que propõe a Unicamp aos estudantes? Trabalhadores bloqueiam entrada do campus da Unicamp para manifestação A reitoria da Unicamp apresentou uma lista de compromissos ao movimento estudantil após uma mesa de negociação realizada na terça-feira (2). As propostas foram apresentadas 25 dias após o início das paralisações dos cursos do campus de Campinas (SP). Entre as propostas, estão: Permanência e Moradia Estudantil: Investimentos em moradia estudantil nos campi de Campinas e Limeira; Constituição de grupo de trabalho para discutir alternativas de moradia estudantil em Limeira; Aperfeiçoamento das discussões relativas às bolsas e aos auxílios de permanência. Mobilidade, Infraestrutura e Convivência: Ações voltadas ao aprimoramento do transporte estudantil e da mobilidade entre campi; Ampliação e qualificação de espaços destinados à convivência, representação estudantil e atividades comunitárias; Continuidade dos investimentos em infraestrutura e acessibilidade. Acolhimento, Inclusão e Apoio Estudantil: Ampliação das equipes de apoio psicossocial; Reforço das estruturas de acolhimento, enfrentamento às violências e promoção da inclusão; Instituição de mecanismos de acompanhamento voltados às políticas de diversidade, acessibilidade e permanência. Programas e Participação Estudantil: Constituição de grupos de trabalho para o aperfeiçoamento dos programas ProFIS e ProFIIVI; Avanço das discussões relacionadas à representação estudantil e ao acompanhamento das políticas de permanência. "Os compromissos assumidos foram definidos a partir de cuidadosa avaliação de sua viabilidade acadêmica, administrativa e orçamentária, buscando assegurar que possam ser efetivamente implementados e sustentados ao longo do tempo", afirmou a Unicamp. Quais as principais reinvindicações dos estudantes? O movimento estudantil afirma que a greve busca "dignidade para morar, estudar e trabalhar". Entre as principais reinvindicações, estão: bolsas e ações para garantir permanência; melhorias no transporte dentro e entre os campi; acesso a serviços de saúde especializada e mental; implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira (já existente em Campinas); espaço físico para centros acadêmicos e diretórios fim da terceirização de serviços; contra a autarquização do Hospital de Clínicas. Segundo o DCE, a greve só termina após resposta direta da Unicamp sobre as oito pautas, com prioridade para a moradia estudantil e políticas de permanência. Estopim da greve A greve foi motivada pela falta de resposta às reivindicações na reunião do Conselho de Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), realizada no dia 4 de maio. 🔎 O Cruesp é formado pelos reitores da Universidade de São Paulo (USP), da Unicamp e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além dos secretários de Desenvolvimento Econômico e da Educação. Atualmente, o conselho é presidido por Paulo Cesar Montagner, reitor da Unicamp. "A pauta estudantil não foi colocada na mesa de negociação na última sessão do Cruesp dessa última segunda-feira. Percebemos que a pauta estudantil estava sendo colocada de lado [...] percebemos, então, a necessidade de fazer uma movimentação um pouco maior", afirmou Víctor Guglielmoni, o representante do Diretório Acadêmico de Limeira. 📅 O movimento de greve começou de forma escalonada. O campus de Limeira (SP) entrou em greve ainda no dia 5 de maio, enquanto cursos de Campinas passaram a aderir a partir do dia 8. A greve geral da universidade foi aprovada posteriormente, em 18 de maio. ➡ De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), todos os cursos aderiram ao movimento com exceção da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (SP). Na última quarta-feira (3), outros dois cursos deixaram a greve, mas o DCE não informou quais. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/educacao/noticia/2026/06/12/professores-da-unicamp-encerram-greve-servidores-mantem-paralisacao-e-estudantes-avancam-em-negociacao.ghtml


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